domingo, 13 de maio de 2007

Amor Próprio


Sim, eu sei que em meu post passado me comprometi em fazer uma abordagem sobre os mecanismos de controle social. Como o tema é um tanto quanto extenso e me deparei com um pensamento muito interessante durante meus estudos de Pascal, decidi seguir por outro rumo.

Durante a leitura do livro Pensamentos, de Blaise Pascal, me deparei com uma análise muito interessante e crua, que para muitos pode ser até maldosa, mas que não foge da realidade da essência de um espírito íntegro.

Me inspirou a postar esse tema devido a um acontecimento ligado ao deputado Clodovil Hernandes, que declarou a uma deputada que ela era feia ( o vídeo chega a ser hilário da ilustre deputada derretendo e sacudindo o presidente da seção), mas observando por outro lado isso só mostra o quanto essa deputada é fraca de espírito, e não reconhece a si própria, não possui amor próprio. Segue abaixo um pensamento de Pascal sobre amor-próprio que acaba por explicar a linha de pensamento de certa forma positiva quanto a declaração do deputado Clodovil para com a deputada:

100-Amor Próprio - A natureza do amor-próprio e desse eu humano é não amar senão a si e não considerar senão a si. A que se pode conduzir? Será incapaz de impedir que o objeto do amor apresente-se repleto de defeitos e misérias: deseja ser grande e se julga pequeno; quer ser feliz e se acredita miserável; pretende ser perfeito e acha-se cheio de imperfeições quer ser o objeto do amor e da estima dos homens e nota que seus defeitos não merecem deles senão repulsa e desprezo. Esse embaraço produz nele a mais injusta e criminosa paixão que se possa imaginar; porque cria um ódio mortal contra essa verdade que o repreende e o convence de seus defeitos. Seu desejo seria destruir essa verdade; não podendo destruí-la em si mesmo, a elimina quanto pode em seu conhecimento e no dos outros; isto é, coloca todo seu zelo em encobrir os próprios defeitos a si mesmo e aos demais, e não suporta que lhe façam velos, nem que os vejam.

Sem dúvida, é um mal possuir tão numerosos defeitos; mas é um mal ainda maior tê-los todos e não desejar reconhecê-los, porque então se lhes acrescenta também uma ilusão voluntária. Não queremos que os outros nos enganem; não julgamos justo que pretendam ser estimados por nós mais do que merecem; não é, assim igualmente justoque os iludamos e queiramos que nos estimem mais do que merecemos.

Dessa maneira, quando os outros apenas vêem em nós imperfeições e vícios, os quais na verdade temos, é evidente que não nos provocam danos, uma vez que não são eles os causadores dessas imperfeições, e que nos fazem um bem, porque nos auxiliam a nos livrar do mal que é a ignorância das imperfeições. Não devemos nos zangar porque eles as conhecem e nos desprezam, pois é justo que nos conheçam por aquilo que somos, e que nos desprezem se somos desprezíveis. Esses seriam os sentimentos naturais de um coração cheio de retidão e justiça. Que devemos dizer do nosso, ao enxergar nele uma disposição tão contrária? Pois não é que odiamos a verdade e aqueles que nos dizem a verdade? Que queremos que se enganem, com vantagem para nós, e que nos tomem por outros, diferentes do que na verdade somos?

Há diferentes graus de repulsa a verdade; é possível dizer, porém, que até certo ponto ela existe em todos, porque é inseparável do amor próprio. Assim, essa falsa delicadeza é que obriga aqueles que têm necessidade de repreender os demais a optar por tantos rodeios afim de não os magoar. Precisam amenizar nossos defeitos, fingir que os desculpam, mesclar elogios e testemunhos de afeição, de estima. Mesmo assim, tal remédio não deixa de ser amargo ao amor-próprio. Tomamos dele o menos possível, e sempre com aversão, e muitas vezes com um secreto despeito contra os que nos mostram ele. Por isso ocorre que, quando alguém se interessa em ser amado por nós, foge de prestar-nos um serviço que, sabe, que nos é desagradável; trata-nos como queremos ser tratados: odiamos a verdade, a verdade nos é ocultada; desejamos adulação, a temos; gostamos de ser enganados, engana-nos. Por isso, cada degrau da escada da fortuna, que nos eleva no mundo, afasta-nos da verdade, pois teme-se mais magoar aqueles cuja afeição é mais útil e cuja aversão perigosa.

Nos cabe agora refletir sobre onde esteve o problema, em quem deferiu a sentença ou em quem a interpretou?

Abraços!

sábado, 28 de abril de 2007

Yo te quiero con limón...



Após outra madrugada reflexiva ( falando nisso, eu recomendo isso a todos vocês... não imaginam o benefício que umas noites sem dormir podem proporcionar..rs), me apeguei a um tema em que fiquei a refletir durante alguns dias. É incrível como as coisas se executam em minha vida, pois ao reservar parte do meu pensamento casual ao para o entendimento, elementos ligados a este passaram a surgir de forma desordenada no meu viver, e deve ser por isso que acabei sendo "forçado" a positivar essa análise.

Bem...acredito que seja lá quem ler isso daqui esteja se perguntando sobre que diabos eu estava a refletir. Estava a refletir sobre a necessidade que as pessoas possuem (sim, isto me inclui) de formar laços, sejam afetivos ou sociais. Parece ser evidente a importância destas ligações, contudo não é a importância que tentaremos explorar, mas sim o porque destas. Pretendo seguir por este assunto em mais alguns posts, onde farei uma análise em temas complementares.
Todo mundo (ou quase todos) procura sua metade da laranja, a azeitona da empada, a promoção da sua feira, a tampa da sua panela, mas o que existe de tão errado neste mundo que poucos conseguem essa dádiva? Será que a culpa é nossa ou realmente do mundo que conspira contra a nossa realização afetiva?

Chega a ser cômico o fato de que nos desesperamos ao estarmos sozinhos, pois se pararmos para pensar a companhia, fisiologicamente não é uma necessidade humana, é possível viver sem possuir nenhuma companhia, porque creio eu que se isso fosse realmente necessário, nós nasceríamos em duplas, trios ou simplesmente grudados uns aos outros , contudo existem casos em que isso ocorre, o que acaba por me fazer pensar talvez seja um sinal divino de que realmente a companhia seja necessária, que me faz pensar que isso talvez seja um upgrade de Deus, mas isso acaba se tornando uma falácia como vimos no post anterior porque se Deus é perfeito ele concebeu a idéia uma única vez e não precisa aplicar nenhum upgrade afim de ajustar sua criação.
Voltando a discussão inicial, notamos que o problema realmente não é fisiológico, mas psicológico. Porquê a aquisição de laços afetivos acaba se tornando o remédio e o veneno para o bem estar de uma pessoa? Primeiro vamos na origem do problema. Esses laços afetivos são baseados no desejo de possuir alguém e creio que ai que está o problema, não pelo fato do laço mas pelo desejo.
O desejo é aquilo que para continuar sendo bom não deve ser alcançado, digamos que eu desejo muito ter uma BMW modelo “X”, mas se caso eu venha a obter a mesma, não existirá desejo e eu estarei fadado a enjoar do modelo “X” e com isso não desejá-lo mais. Percebe que o desejos são baseados naquilo que não possuímos e deixam de ser desejo assim que os conquistamos. É incrível como ser humano enjoa das coisas e chega até ser natural, o que não se diferencia muito quando estamos formando um laço afetivo com alguém. Quantas vezes nos deparamos coma situação de comprarmos algo e logo depois simplesmente aquilo que era de nosso desejo se transformar em mais um objeto dentre muitos já conquistados. Arrisco-me a dizer que esses laços são como um objeto, fruto do desejo, que uma vez conquistado, se torna mais uma entre muitas conquistas, se diferenciando basicamente na importância que damos a cada um deles. Um bom exemplo disso é a maneira que hierarquizamos nossas relações, podemos observar que algumas pessoas hierarquizam suas relações de uma forma bem clássica:
1-Família 2-Amigos de Vivência 3-Amigos do Trabalho ...etc... seguindo nessa ordem o grau de importância aplicado a cada membro desse grupo. Da mesma forma é com os objetos, existem pertences que estimamos de maneira profunda e outros damos o mínimo de atenção. Essa potência valorativa atribuída a esses laços afetivos que acaba por determinar seu grau, mas a pergunta do porque de “necessitarmos” destes laços continua sem resposta.
Se pararmos para pensar e englobar todas essas relações afetivas como termo Amizade, em que consiste na inclinação eletiva recíproca entre duas pessoas e que o grau axiológico dado a este termo será o que virá a nomeá-lo como namoro, casamento, etc..., podemos nos apropriar do pensamento de Aristóteles de que a amizade se subdivide em três focos: o que tem por objeto o prazer, o que tem por objeto o interesse; e o que tem por objeto o bem moral. Somente o terceiro é perfeito. Vejamos que os três focos apresentados correspondem a mecanismos que venham a proporcionar um bem individual, e esta amizade que consiste esses laços que formamos, na verdade busca um crescimento individual do indivíduo que a utiliza. Creio eu que esta foi a forma mais primitiva, se não primária, do homem por natureza buscar poder e controle afim de seu crescimento individual. Existe muito a se falar sobre o assunto, existem também diversas formas de analisarmos esse conceito, contudo achei a versão de Aristotélica a mais razoável, mas friso que isto não é uma verdade absoluta é somente uma análise bem particular do assunto. Pretendo falar sobre mecanismos de controle na minha próxima análise. Inté!

domingo, 15 de abril de 2007

Generalizando...


Como sempre eu estava a estudar desesperadamente para mais uma prova semestral, quando ao tentar dinamizar meu estudo afim de evitar que o sono me atacasse de forma impiedosa, me deparei com esta crônica de um livro chamado "As calcinhas cor-de-rosas do Capitão", que de uma forma bem peculiar mostra as várias faces das falácias naturalistas em nosso dia a dia. Eu fiquei assustadíssimo ao ver como esta história possui uma certa ligação comigo, principalmente a parte final. As vezes eu fico surpreso como eu consigo criar de forma inacreditável vários Frankenstein em minha vida...

Como para bom leitor meia palavra basta, espero que ao ler esse texto, se possa melhorar a visão que temos quanto ao julgamento que fazemos diariamente. Escutei um dia desses de meu professor de Sociologia:

"A pessoa que consegue generalizar algo se assemelha a um Deus."
E não discordo em ponto algum, pois para criar uma generalização a pessoa possui um poder imenso de conhecimento, é o olho que tudo vê e tudo grava, é o diretor do grande Big Brother que é a vida.

Digo isso devido a uns acontecimentos que me obrigaram a refletir quanto o assunto. Descobri essa semana que traçar perfis e tirar pré-conclusões em cima deles não é uma fonte segura ao ponto de se assegurar em cima dela. Sem mais delongas segue abaixo o texto tão comentado.


O Amor é uma Falácia

M. Sulman

Eu era frio e lógico. Sutil, calculista, perspicaz, arguto e astuto - era tudo isso. Tinha um cérebro poderoso como um dínamo, preciso como uma balança de farmácia, penetrante como um bisturi. E tinha - imaginem só - dezoito anos.

Não é comum ver alguém tão jovem com um intelecto tão gigantesco. Tomem, por exemplo, o caso do meu companheiro de quarto na universidade, Pettey Bellows. Mesma idade, mesma formação, mas burro como uma porta. Um bom sujeito, compreendam, mas sem nada lá em cima. Do tipo emocional. Instável, impressionável. Pior do que tudo, dado a manias. Eu afirmo que a mania é a própria negação da razão. Deixar-se levar por qualquer nova moda que apareça, entregar a alguma idiotice só porque os outros a segue, isto, para mim, é o cúmulo da insensatez. Petey, no entanto, não pensava assim.

Certa tarde, encontrei-o deitado na cama com tal expressão de sofrimento no rosto que o meu diagnóstico foi imediato: apendicite.

- Não se mexa. Não tome laxante. Vou chamar o médico.

- Couro preto - balbuciou ele.

- Couro preto? - disse eu, interrompendo a minha corrida.

- Quero uma jaqueta de couro preto - disse.

Percebi que o seu problema não era físico, mas mental.

- Por que você quer uma jaqueta de couro preto?

- Eu devia ter adivinhado - gritou ele, socando a cabeça - Devia ter adivinhado que eles voltariam com o Charleston. Como um idiota, gastei todo o meu dinheiro em livros para as aulas e agora não posso comprar uma jaqueta de couro preto.

- Quer dizer - perguntei incrédulo - que estão mesmo usando jaquetas de couro preto outra vez?

- Todas as pessoas importantes da universidade estão. Onde você tem andado?

- Na biblioteca - respondi, citando um lugar não freqüentado pela pessoas importantes da Universidade.

Ele saltou da cama e pôs-se a andar de um lado para o outro do quarto.

- Preciso conseguir uma jaqueta de couro preto - disse, exaltado - Preciso mesmo.

- Por que, Pety? Veja a coisa racionalmente. Jaquetas de couro preto são desconfortáveis. Impedem o movimento dos braços. São pesadas, são feias, são ...

- Você não compreende - interrompeu ele com impaciência - é o que todos estão usando. Você não quer andar na moda?

- Não - respondi, sinceramente.

- Pois eu sim - declarou ele - daria tudo para ter uma jaqueta de couro preto. Tudo.

Aquele instrumento de precisão, meu cérebro, começou a funcionar a todo vapor.

- Tudo? - perguntei, examinando seu rosto com olhos semicerrados.

- Tudo - confirmou ele, em tom dramático.

Alisei o queixo, pensativo. Eu, por acaso, sabia onde encontrar uma jaqueta de couro preto. Meu pai usara um nos seus tempos de estudante; estava agora dentro de um malão, no sótão da casa. E, também por acaso, Petey tinha algo que eu queria. Não era dele, exatamente, mas pelo menos ele tinha alguns direitos sobre ela. Refiro-me à sua namorada, Polly Spy.

Eu há muito desejava Polly Spy. Apresso-me a esclarecer que o meu desejo não era de natureza emotiva. A moça, não há dúvida, despertava emoções, mas eu não era daqueles que se deixam dominar pelo coração. Desejava Polly para fins engenhosamente calculados e inteiramente cerebrais.

Cursava eu o primeiro ano de direito. Dali a algum tempo, estaria me iniciando na profissão. Sabia muito bem a importância que tinha a esposa na vida e na carreira de um advogado. Os advogados de sucesso, segundo as minhas observações, eram quase sempre casados com mulheres bonitas, graciosas e inteligentes. Com uma única exceção, Polly preenchia perfeitamente estes requisitos.

Era bonita. Suas proporções ainda não eram clássicas, mas eu tinha certeza de que o tempo se encarregaria de fornecer o que faltava. A estrutura básica estava lá.

Graciosa também era. Por graciosa quero dizer cheia de graças sociais. Tinha porte ereto, a naturalidade no andar e a elegância que deixavam transparecer a melhor das linhagens. Á mesa, suas maneiras eram finíssimas. Eu já vira Polly no barzinho da escola comendo a especialidade da casa - um sanduíche que continha pedaços de carne assada, molho, castanhas e repolho - sem nem sequer umedecer os dedos.

Inteligente ela não era. Na verdade, tendia para o oposto. Mas eu confiava em que, sob a minha tutela, haveria de tornar-se brilhante. Pelo menos valia a pena tentar. Afinal de contas, é mais fácil fazer uma moça bonita e burra ficar inteligente do que uma moça feia e inteligente ficar bonita.

- Petey - perguntei - você ama Polly Spy?

- Eu acho que ela é interessante - respondeu - mas não sei se chamaria isso de amor. Por quê?

- Você - continuei - tem alguma espécie de arranjo formal com ela? Quero dizer, vocês saem exclusivamente um com o outro?

- Não. Nos vemos seguidamente. Mas saímos os dois com outros também. Por quê?

- Existe alguém - perguntei - algum outro homem que ela goste de maneira especial?

- Que eu saiba não. Por quê?

Fiz que sim com a cabeça, satisfeito.

- Em outras palavras, a não ser por você, o campo está livre, é isso?

- Acho que sim. Aonde você quer chegar?

- Nada, anda - respondi com inocência, tirando minha mala de dentro do armário.

- Onde é que você vai? - quis saber Petey.

- Passar o fim de semana em casa.

Atirei algumas roupas dentro da mala.

- Escute - disse Petey, apegando-se com força ao meu braço - em casa, será que você não poderia pedir dinheiro ao seu pai, e me emprestar para comprar uma jaqueta de couro preto?

- Posso até fazer mais do que isso - respondi, piscando o olho misteriosamente. Fechei a mala e saí.

- Olhe - disse a Petey, ao voltar na segunda feira de manhã. Abri a mala e mostrei o enorme objeto cabeludo e fedorento que meu pai usara ao volante de seu Stutz Beacat em 1955.

- Santo Pai - exclamou Petey com reverência. Passou as mãos na jaqueta e depois no rosto.

- Santo Pai - repetiu, umas quinze ou vinte vezes.

- Você gostaria de ficar com ele? - perguntei.

- Sim - gritou ele, apertando a jaqueta contra o peito. Em seguida, seus olhos assumiram um ar precavido. - O que quer em troca?

- A sua namorada - disse eu, não desperdiçando palavras.

- Polly? - sussurrou Petey, horrorizado. - Você quer a Polly?

- Isso mesmo.

Ele jogou a jaqueta pra longe.

- Nunca - declarou resoluto.

Dei de ombros.

- Tudo bem. Se você não quer andar na moda, o problema é seu.

Sentei-me numa cadeira e fingi que lia um livro, mas continuei espiando Petey, com o rabo dos olhos. Era um homem partido em dois. Primeiro olhava para a jaqueta com a expressão de uma criança desamparada diante da vitrine de uma confeitaria. Depois dava-lhe as costas e cerrava os dentes, altivo. Depois voltava a olhar para a jaqueta. Com uma expressão ainda maior de desejo no rosto. Depois virava-se outra vez, mas agora sem tanta resolução. Sua cabeça ia e vinha, o desejo ascendendo, a resolução descendendo. Finalmente, não se virou mais: ficou olhando para a jaqueta com pura lascívia.

- Não é como se eu estivesse apaixonado por Polly - balbuciou. - Ou mesmo namorando sério, ou coisa parecida.

- Isso mesmo - murmurei.

- Afinal, Polly significa o que para mim, ou eu pra ela?

- Nada - respondi.

- Foi uma coisa banal. Nos divertimos um pouco. Só isso.

- Experimente a jaqueta - disse eu.

Ele obedeceu. A jaqueta ficou bem larga, passando da cintura. Ele parecia um motoqueiro mal vestido da década de cinqüenta.

- Serve perfeitamente - disse, contente.

Levantei-me da cadeira e perguntei, estendendo a mão.

- Negócio feito?

Ele engoliu a seco.

- Feito - disse, e apertou a minha mão.

Saí com Polly pela primeira vez na noite seguinte.

O Primeiro programa teria o caráter de pesquisa preparatória. Eu desejava saber o trabalho que me esperava para elevar a sua mente ao nível desejado. Levei-a para jantar.

- Puxa, que jantar interessante! - disse ela, quando saímos do restaurante. Fomos ao cinema.

- Puxa, que filme interessante! - disse ela, quando saímos do cinema.

Levei-a para casa.

- Puxa, que noite interessante - disse ela, ao nos despedirmos.

Voltei para o quarto com o coração pesado. Eu subestimara gravemente as proporções da minha tarefa. A ignorância daquela moça era aterradora. E não seria o bastante apenas instruí-la. Era preciso, antes de tudo, ensiná-la a pensar. O empreendimento se me afigurava gigantesco, e a princípio me vi inclinado a devolvê-la a Petey. Mas aí comecei a pensar nos seus dotes físicos generosos e na maneira como entrava numa sala ou segurava uma faca, um garfo, e decidi tentar novamente.

Procedi, como sempre, sistematicamente. Dei-lhe um curso de Lógica. Acontece que, como estudante de direito, eu freqüentava na ocasião aulas de Lógica, e portanto tinha tudo na ponta da língua.

- Polly - disse eu, quando fui buscá-la para o nosso segundo encontro. - Esta noite vamos até o parque conversar.

- Ah, que interessante! - respondeu ela.

Uma coisa deve ser dita em favor da moça: seria difícil encontrar alguém tão bem disposta para tudo.

Fomos até o parque, o local de encontros da universidade, nos sentamos debaixo de uma árvore, e ela me olhou cheia de expectativa.

- Sobre o que vamos conversar? - perguntou.

- Sobre Lógica.

Ela pensou durante alguns segundos e depois sentenciou:

- Interessante!

- A Lógica - comecei, limpando a garganta - é a ciência do pensamento. Se quisermos pensar corretamente, é preciso antes saber identificar as falácias mais comuns da Lógica. É o que vamos abordar hoje.

- Interessante! - exclamou ela, batendo palmas de alegria.

Fiz uma careta, mas segui em frente, com coragem.

- Vamos primeiro examinar uma falácia chamada Dicto Simpliciter.

- Vamos - animou-se ela, piscando os olhos com animação.

- Dicto Simpliciter quer dizer um argumento baseado numa generalização não qualificada. Por exemplo: o exercício é bom, portanto todos devem se exercitar.

- Eu estou de acordo - disse Polly, fervorosamente. - Quer dizer, o exercício é maravilhoso. Isto é, desenvolve o corpo e tudo.

- Polly - disse eu, com ternura - o argumento é uma falácia. Dizer que o exercício é bom é uma generalização não qualificada. Por exemplo: para quem sofre do coração, o exercício é ruim. Muitas pessoas têm ordem de seus médicos para não exercitarem. É preciso qualificar a generalização. Deve-se dizer: o exercício é geralmente bom, ou é bom para a maioria das pessoas. Do contrário está-se cometendo um Dicto Simpliciter. Você compreende?

- Não - confessou ela. - Mas isso é interessante. Quero mais. Quero mais!

- Será melhor se você parar de puxar a manga da minha camisa - disse eu e, quando ela parou, continuei:

- Em seguida, abordaremos uma falácia chamada generalização apressada. Ouça com atenção: você não sabe falar francês, eu não sei falar francês, Petey Bellows não sabe falar francês. Devo portanto concluir que ninguém na universidade sabe falar francês.

- É mesmo? - espantou-se Polly. - Ninguém?

Contive a minha impaciência.

- É uma falácia, Polly. A generalização é feita apressadamente. Não há exemplos suficientes para justificar a conclusão.

- Você conhece outras falácias? - perguntou ela, animada. - Isto é até melhor do que dançar.

- Esforcei-me por conter a onda de desespero que ameaçava me invadir. Não estava conseguindo nada com aquela moça, absolutamente nada. Mas não sou outra coisa senão persistente. Continuei.

- A seguir, vem o Post Hoc. Ouça: Não levemos Bill conosco ao piquenique. Toda vez que ele vai junto, começa a chover.

- Eu conheço uma pessoa exatamente assim - exclamou Polly. - Uma moça da minha cidade, Eula Becker. Nunca falha. Toda vez que ela vai junto a um piquenique...

- Polly - interrompi, com energia - é uma falácia. Não é Eula Becker que causa a chuva. Ela não tem nada a ver com a chuva. Você estará incorrendo em Post Hoc, se puser a culpa na Eula Becker.

- Nunca mais farei isso - prometeu ela, constrangida. - Você está bravo comigo?

- Não Polly - suspirei. - Não estou bravo.

- Então conte outra falácia.

- Muito bem. Vamos experimentar as premissas contraditórias.

- Vamos - exclamou ela alegremente.

Franzi a testa, mas continuei.

- Aí vai um exemplo de premissas contraditórias. Se Deus pode fazer tudo, pode fazer uma pedra tão pesada que ele mesmo não conseguirá levantar?

- É claro - respondeu ela imediatamente.

- Mas se ele pode fazer tudo, pode levantar a pedra.

- É mesmo - disse ela, pensativa. - Bem, então eu acho que ele não pode fazer a pedra.

- Mas ele pode fazer tudo - lembrei-lhe.

Ela coçou a cabeça linda e vazia.

- Estou confusa - admitiu.

- É claro que está. Quando as premissas de um argumento se contradizem, não pode haver argumento. Se existe uma força irresistível, não pode existir um objeto irremovível. Compreendeu?

- Conte outra dessas histórias interessantes - disse Polly, entusiasmada.

Consultei o relógio.

- Acho melhor parar por aqui. Levarei você em casa, e lá pensará no que aprendeu hoje. Teremos outra sessão amanhã.

Deixei-a no dormitório das moças, onde ela me assegurou que a noitada fora realmente interessante, e voltei desanimadamente para o meu quarto. Petey roncava sobre sua cama, com a jaqueta de couro encolhida a seus pés. Por alguns segundos, pensei em acordá-lo e dizer que ele podia ter Polly de volta. Era evidente que o meu projeto estava condenado ao fracasso. Ela tinha, simplesmente, uma cabeça à prova de Lógica.

Mas logo reconsiderei. Perdera uma noite, por que não perder outra? Quem sabe se em alguma parte daquela cratera de vulcão adormecido que era a mente de Polly, algumas brasas ainda estivessem vivas. Talvez, de alguma maneira, eu ainda conseguisse abaná-las até que flamejasse. As perspectivas não eram das mais animadoras, mas decidi tentar outra vez.

Sentado sob uma árvore, na noite seguinte, disse:

- Nossa primeira falácia desta noite se chama ad misericordiam.

Ela estremeceu de emoção.

- Ouça com atenção - comecei - Um homem vai pedir emprego. Quando o patrão pergunta quais as suas qualificações, o homem responde que tem uma mulher e dois filhos em casa, que a mulher e aleijada, as crianças não tem o que comer, não tem o que vestir nem o que calçar, a casa não tem camas, não há carvão no porão e o inverno se aproxima.

Uma lágrima desceu por cada uma das faces rosadas de Polly.

- Isso é horrível, horrível! - soluçou.

- É horrível - concordei - mas não é um argumento. O homem não respondeu à pergunta do patrão sobre as suas qualificações. Ao invés disso, tentou despertar a sua compaixão. Cometeu a falácia de ad misericordiam. Compreendeu?

Dei-lhe um lenço e fiz o possível para não gritar enquanto ela enxugava os olhos.

- A seguir - disse, controlando o tom da voz - discutiremos a falsa analogia. Eis um exemplo: deviam permitir aos estudantes consultar seus livros durante os exames. Afinal, os cirurgiões levam as radiografias para se guiarem durante uma operação, os advogados consultam seus papéis durante um julgamento, os construtores têm plantas que os orientam na construção de uma casa. Por quê, então, não deixar que os alunos recorram a seus livros durante uma prova?

- Pois olhe - disse ela entusiasmada - está e a idéia mais interessante que eu já ouvi há muito tempo.

- Polly - disse eu com impaciência - o argumento é falacioso. Os cirurgiões, os advogados e os construtores não estão fazendo teste para ver o que aprenderam, e os estudantes sim. As situações são completamente diferentes e não se pode fazer analogia entre elas.

- Continuo achando a idéia interessante - disse Polly.

- Santo Cristo! - murmurei, com impaciência.

- A seguir, tentaremos a hipótese contrária ao fato.

- Essa parece ser boa - foi a reação de Polly.

- Preste atenção: se Madame Curie não deixasse, por acaso, uma chapa fotográfica numa gaveta junto com uma pitada de pechblenda, nós hoje não saberíamos da existência do rádio.

- É mesmo, é mesmo - concordou Polly, sacudindo a cabeça. - Você viu o filme? Eu fiquei louca pelo filme. Aquele Walter Pidgeon é tão bacana! Ele me faz vibrar.

- Se conseguir esquecer o Sr. Pidgeon por alguns minutos - disse eu, friamente - gostaria de lembrar que o que eu disse é uma falácia. Madame Curie teria descoberto o rádio de alguma outra maneira. Talvez outra pessoa o descobrisse. Muita coisa podia acontecer. Não se pode partir de uma hipótese que não é verdadeira e tirar dela qualquer conclusão defensável.

- Eles deviam colocar o Walter Pidgeon em mais filmes - disse Polly - Eu quase não vejo ele no cinema.

Mais uma tentativa, decidi. Mas só mais uma. Há um limite para o que podemos suportar.

- A próxima falácia é chamada de envenenar o poço.

- Que engraçadinho! - deliciou-se Polly.

- Dois homens vão começar um debate. O primeiro se levante e diz: ‘o meu oponente é um mentiroso conhecido. Não é possível acreditar numa só apalavra do que ele disser’. Agora, Polly, pense bem, o que está errado?

Vi-a enrugar a sua testa cremosa, concentrando-se. De repente, um brilho de inteligência - o primeiro que vira - surgiu nos seus olhos.

- Não é justo! - disse ela com indignação - Não é justo. O primeiro envenenou o poço antes que os outros pudesse beber dele. Atou as mãos do adversário antes da luta começar... Polly, estou orgulhoso de você.

- Ora - murmurou ela, ruborizando de prazer.

- Como vê, minha querida, não é tão difícil. Só requer concentração. É só pensar, examinar, avaliar. Venha, vamos repassar tudo o que aprendemos até agora.

- Vamos lá - disse ela, com um abano distraído da mão.

Animado pela descoberta de que Polly não era uma cretina total, comecei uma longa e paciente revisão de tudo o que dissera até ali. Sem parar citei exemplos, apontei falhas, martelei sem dar trégua. Era como cavar um túnel. A princípio, trabalho duro e escuridão. Não tinha idéia de quando veria a luz ou mesmo se a veria. Mas insisti. Dei duro, até que fui recompensado. Descobri uma fresta de luz. E a fresta foi se alargando até que o sol jorrou para dentro do túnel, clareando tudo.

Levara cinco noites de trabalho forçado, mas valera a pena. Eu transformara Polly em uma lógica, e a ensinara a pensar. Minha tarefa chegara a bom termo. Fizera dela uma mulher digna de mim. Está apta a ser minha esposa, uma anfitriã perfeita para as minhas muitas mansões. Uma mãe adequada para os meus filhos privilegiados.

Não se deve deduzir que eu não sentia amor por ela. Muito pelo contrário. Assim como Pigmaleão amara a mulher perfeita que moldara para si, eu amava a minha. Decidi comunicar-lhe os meus sentimentos no nosso encontro seguinte. Chegara a hora de mudar as nossas relações, de acadêmicas para românticas.

- Polly, disse eu, na próxima vez que nos sentamos sob a árvore - hoje não falaremos de falácias.

- Puxa! - disse ela, desapontada.

- Minha querida - prossegui, favorecendo-a com um sorriso - hoje é a sexta noite que estamos juntos. Nos demos esplendidamente bem. Não há dúvidas de que formamos um bom par.

- Generalização apressada - exclamou ela, alegremente.

- Perdão - disse eu.

- Generalização apressada - repetiu ela. - Como é que você pode dizer que formamos um bom par baseado em apenas cinco encontros?

Dei uma risada, contente. Aquela criança adorável aprendera bem as suas lições.

- Minha querida - disse eu, dando um tapinha tolerante na sua mão - cinco encontros são o bastante. Afinal, não é preciso comer um bolo inteiro para saber se ele é bom ou não.

- Falsa Analogia - disse Polly prontamente - eu não sou um bolo, sou uma pessoa.

Dei outra risada, já não tão contente. A criança adorável talvez tivesse aprendido a sua lição bem demais. Resolvi mudar de tática. Obviamente, o indicado era uma declaração de amor simples, direta e convincente. Fiz uma pausa, enquanto o meu potente cérebro selecionava as palavras adequadas. Depois reiniciei.

- Polly, eu te amo. Você é tudo no mundo pra mim, é a lua e a estrelas e as constelações no firmamento. For favor, minha querida, diga que será minha namorada, senão a minha vida não terá mais sentido. Enfraquecerei, recusarei comida, vagarei pelo mundo aos tropeções, um fantasma de olhos vazios.

Pronto, pensei; está liquidado o assunto.

- Ad misericordiam - disse Polly.

Cerrei os dentes. Eu não era Pigmaleão; era Frankenstein, e o meu monstro me tinha pela garganta. Lutei desesperadamente contra o pânico que ameaçava invadir-me. Era preciso manter a calma a qualquer preço.

- Bem, Polly - disse, forçando um sorriso - não há dúvida que você aprendeu bem as falácias.

- Aprendi mesmo - respondeu ela, inclinando a cabeça com vigor.

- E quem foi que ensinou a você, Polly?

- Foi você.

- Isso mesmo. E portanto você me deve alguma coisa, não é mesmo, minha querida? Se não fosse por mim, você nunca saberia o que é uma falácia.

- Hipótese Contrária ao Fato - disse ela sem pestanejar.

Enxuguei o suor do rosto.

- Polly - insisti, com voz rouca - você não deve levar tudo ao pé da letra. Estas coisas só têm valor acadêmico. Você sabe muito bem que o que aprendemos na escola nada tem a ver com a vida.

- Dicto Simpliciter - brincou ela, sacudindo o dedo na minha direção.

Foi o bastante. Levantei-me num salto, berrando como um touro.

- Você vai ou não vai me namorar?

- Não vou - respondeu ela.

- Por que não? - exigi.

- Porque hoje à tarde eu prometi a Petey Bellows que eu seria a namorada dele.

Quase caí para trás, fulminado por aquela infâmia. Depois de prometer, depois de fecharmos negócio, depois de apertar a minha mão!

- Aquele rato! - gritei, chutando a grama. - Você não pode sair com ele, Polly. É um mentiroso. Um traidor. Um rato.

- Envenenar o poço - disse Polly - E pare de gritar. Acho que gritar também deve ser uma falácia.

Com uma admirável demonstração de força de vontade, modulei a minha voz.

- Muito bem - disse - você é uma lógica. Vamos olhar as coisas logicamente. Como pode preferir Petey Bellows? Olhe para mim: um aluno brilhante, um intelectual formidável, um homem com futuro assegurado. E veja Petey: um maluco, um boa vida, um sujeito que nunca saberá se vai comer ou não no dia seguinte. Você pode me dar uma única razão lógica para namorar Petey Bellows?

- Posso sim - declarou Polly - Ele tem uma jaqueta de couro preto.

( in Sulman, M. (1973): As calcinhas cor-de-

rosas do Capitão, Porto Alegre: Ed. Globo)

domingo, 18 de março de 2007

300...

Até hoje eu lembro da minha aula de História no cursinho pré-vestibular ( eu não lembraria de nenhuma no 2º Grau porque realmente as aulas não eram muito atraentes) em que meu professor Israel contou em 100 minutos a história dos espartanos. Uma sociedade que apesar de não ter desenvolvido um pensamento filosófico e artístico igual ao de Atenas ( na verdade não chegou nem perto rs), desenvolveu uma conscientização quanto as virtudes e valores fora do comum.
Dia 30 irá estrear um filme chamado 300 de Esparta. Sinceramente não vejo a hora de ver. Pelo que eu li, e assisti pelo trailer a retratação do povo Persa foi um tanto quanto apelativa rs. Mas Viva a liberdade poética! Muitos irão provavelmente achar que este é mais um filme de guerra ou um épico qualquer, contudo a história possui um conteúdo muito mais profundo do que se imagina.
Se o roteiro foi bem escrito, poderemos ver com clareza uma grande história de amor, não digo isso pelos personagens principais, mas sim por todo o exército espartano. A história mostra como o amor pode realmente fazer coisas impossíveis, como 300 homens podem enfrentar milhões e fazer coisas consideradas impossíveis em tempos de guerra.
"Apoiada, a coragem nasce até mesmo naqueles que são muito cobardes".

Homero

Quem conhece a história do povo espartano deve entender o quanto o amor era levado a sério nessa sociedade. Pode parecer que não de início mas se pararmos para analisar aquela sociedade era movida por amor pelo companheiro, pelos seus superiores, pelo seu país.
Eu fico realmente imaginando como nosso país poderia ser melhor se as pessoas realmente pudessem se amor de forma livre. Hoje praticar o amor é mais difícil do que praticar o ódio.
É incrível como as pessoas são incentivadas a cultivar sentimentos diferente do amor, existe uma cultura pelo desrespeito, isso se torna claro do quão comum isso se tornou se observarmos em nosso dia a dia, pessoas se cumprimentam agredindo o próximo, frases como "Fala sua safada!", "Eii filho da p** sumido!", entre outros, são comuns no vocabulário de algumas pessoas ao se encontrar. As pessoas atualmente acham mais fácil xingar alguem do que deferir uma palavra de afeto, o que é realmente muito triste.
"O ódio constitui de longe o prazer mais insistente.
Os homens amam às pressas mas detestam longamente."

Arthur Schopenhauer

Eu procuro todos os dias mudam essa situação comigo mesmo. A idéia é realmente aquilo que a Tia Terezinha da 1º série dizia: Vamos plantar o Amorrr. rs.
Acredito que a solução para os nossos problemas está aí, no amor pelas coisas das mais diferentes formas. Temos que desenvolver esse sentimento sem medo ou receio, diferente do que é pregado atualmente.
"De todas as formas de cautela, cautela no amor é talvez a mais fatal para a felicidade verdadeira".
Bertrand Russel

Para quem ainda não viu, está ai o link para o trailer de 300 de Esparta, é uma boa pedida para o fim de semana do dia 30. =]

Trailer 300 de Esparta

Abraços!

segunda-feira, 12 de março de 2007

Pela Real Beleza






Campanha Dove pela real Beleza (link)

Este é um vídeo feito a partir de uma campanha da Dove, pela real beleza. Apesar de ter focado a campanha nas mulheres, a abordagem e a mensagem produzida é bastante interessante.
São iniciativas assim que podem vir a mudar a visão de nossa sociedade atual.
Assisti esse comercial durante o filme Pequena Miss Sunshine. O filme possui uma historia interessante, com um excelente contexto reflexivo, mas peca na historia. Sinceramente me senti vendo uma novela. rs. Mas é uma boa pedida para uma tarde sem nada para fazer.
Voltando ao vídeo, acabei me deparando coma pergunta.
O que é beleza? O que é belo?
Bem de acordo com meu pensamento quanto a isso, o "belo" seria tudo aquilo que é agradável de se ver. Mas daí outra pedra surge, mas e o que é agradável para mim pode não ser para alguem e com isso, quem estará certo? Eu? Ou qualquer outro?
Kant ja dizia:
"É belo o que agrada universalmente e sem conceitos."

Mas a idéia de universalidade acaba sendo uma mera ilusão, o que nos faz voltar ao mesmo problema. Então a partir desta dúvida, outra dúvida surge.
Então o belo realmente existe? Pois se algo não pode ser universalmente belo, então belo na realidade não é. Já estou vendo pedras voando em minha direção após negar a existência do belo, contudo vale ressaltar que estou negando o belo no contexto absoluto. Não existe beleza absoluta, como dizia Sponville
"Não há beleza objetiva ou absoluta.Há apenas o prazer de perceber e a alegria de adimirar."
.Creio que a beleza depende de quem vê. Existem os mais variados gostos, as mais variadas interpretações visuais. É necessário ter em mente que não é preciso seguir a moral social para ser realmente belo, pois se você gosta de você mesmo, pelo menos 1 pessoa no planeta acha você bonito(a), e sinceramente acredito que dificilmente não exista alguem, que goste tanto de você tanto quanto você gosta de você mesmo. Sei que é impossível negar o pensamento e contexto atual da "beleza", mas creio que isso só pode ser mudado quando as pessoas pararem para pensar mais nos problemas atuais do que nos problemas que cercam uma pequena espinha quando se acorda de manhã.